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O radioamadorismo tem sido uma bênção

22 de ago. de 2024 · Steve Berry, N1EZ

O radioamadorismo tem sido uma bênção

Sou radioamador desde 1977. Gosto de me considerar um radioamador “faz-tudo”. Curto várias áreas do radioamadorismo, incluindo HF, satélites, modos digitais como FT8 e VarAC, modos de VHF como DMR/Wires e D-Star, além de um contest de vez em quando e caçar DX. Andei brincando com FT4 via satélite e fazendo APRS via satélite. Acho que gosto de desvendar as coisas e partir para a próxima. Também gosto de aprimorar meu CW. E a lista não para por aí.

Minha carreira profissional sempre girou em torno da Tecnologia da Informação (TI). No ensino fundamental, aos 11 anos, me interessei pelo radioamadorismo por causa do meu tio Florian (W1FA, SK), que vinha à cidade nos visitar e me levava de carro para fora do vale, perto do aeroporto, para operar em 2 metros.

Aquilo me fascinou. Mergulhei de cabeça e encontrei o radioclube local. Meu mentor era, de fato, um radioamador chamado Elmer. As reuniões mensais do clube aconteciam no celeiro dele. Peguei emprestado muito equipamento militar de sobra e tirei minha licença por volta do meu 12º aniversário, em agosto de 1977.

Fiz o possível para fazer contatos em CW usando um transmissor Heathkit DX-40 controlado a cristal e um receptor Hallicrafters SX-110. Cheguei a sair numa matéria do jornal local e, depois, no jornal estadual. No fim, para a matéria do jornal local, só consegui contatar um radioamador do outro lado da cidade! Morar no vale, numa casa com revestimento de alumínio, tinha suas desvantagens!

Eu costumava rodar pela cidade de bicicleta com meu HT, com a estação de casa montada como uma repetidora improvisada para minha estação de HF. Não era exatamente legal na época, mas de que outro jeito eu falaria com a Rússia de bicicleta no centro da cidade?

No ensino médio, meu professor de eletrônica era radioamador, e montamos uma estação e uma antena no telhado da escola. Antes mesmo de eu ter meu trabalho de entregar jornais, um radioamador local me deu um emprego varrendo o chão da empresa dele. Eu adorava o radioamadorismo e acabei conseguindo a classe Extra.

Naquela época, era preciso ir ao escritório da FCC para fazer as provas de CW e a escrita. Chegar a Boston, para mim, era quase como ir ao outro lado do país. Por sorte, consegui pegar carona com outros radioamadores que iam para lá.

Os radioamadores sempre foram bons comigo. Consegui meu primeiro emprego como desenvolvedor de software enquanto fazia faculdade e, de algum jeito, encaixava as aulas no meio da semana enquanto escrevia firmware de quinta a segunda. O gerente de engenharia era radioamador, e o colega que me levou para a empresa era um radioamador do meu clube. Comecei no laboratório de hardware, mas eu era tão ruim que me deram uma chance no software. Ainda bem que me saí bem nisso.

Na faculdade, eu tinha uma relação de amor e ódio com meus professores. Era uma universidade estadual e o curso de computação era novo. Eu era ativo no desenvolvimento de software e muito curioso, especialmente sobre sistemas Unix. Provavelmente era um pouco arrogante também! Ou eu ia muito bem numa matéria, ou passava raspando. Alguns dos professores mais jovens não gostavam muito das perguntas que eu fazia, mas os mais experientes — como o professor radioamador — gostavam!

Depois de deixar a faculdade antes de terminar, comecei a trabalhar com desenvolvimento de software na região da Route-128, em Boston. Comecei a prestar consultoria por fora quando um restaurante local me pediu ajuda para criar um sistema de ponto de venda. Foi o início de uma longa jornada construindo várias empresas de treinamento, consultoria e, mais tarde, serviços gerenciados. Foi o radioamadorismo que me ajudou a decolar. Entrar na AT&T Bell Labs (onde também havia muitos radioamadores) como consultor Unix júnior também não atrapalhou.

O radioamadorismo sempre esteve presente na minha vida. Não só fiz amigos e contatos que me ajudaram no começo da carreira, mas, quando criança, ele me fez sentir único e confiante, e tenho certeza de que contribuiu para minha capacidade de me comunicar com pessoas fora da minha bolha provinciana.

O radioamadorismo não só me ajudou profissionalmente, como também me guiou na vida pessoal. Quando conheci minha esposa, há 30 anos, ela me contou que o pai dela era radioamador. Fiquei desconfiado, achando que ele provavelmente tinha um rádio PX. Ela me disse o indicativo dele na ponta da língua, e fiquei impressionado. Não sei se aquilo selou o acordo naquele momento, mas acreditei (com razão) que era um sinal!

Com a esperança de retribuir a este hobby, entrei na ARRL em 2022 como Diretor de TI. Foi uma ótima experiência, em que conheci muitas pessoas incríveis e alguns radioamadores muito habilidosos. Tive a oportunidade de conhecer os sistemas internos e os voltados ao público, incluindo o Logbook of The World (LoTW).

Meu tempo lá foi dedicado a muitas questões de integração de sistemas e ao início de um processo de migração para a nuvem. Como Diretor de TI, comecei a pensar em como poderia funcionar uma modernização incremental e modular do LoTW — começando por reduzir a carga de suporte da equipe do LoTW, melhorando o aplicativo TQSL (backup e recuperação de certificados) e levando grande parte do processamento dos registros de QSO para a nuvem. Eu queria iniciar esse trabalho, mas saí da ARRL em setembro de 2023, antes que ele começasse. Para uma organização relativamente pequena, a ARRL tem uma quantidade significativa de sistemas legados proprietários. Somado a uma equipe pequena e a restrições financeiras, isso torna a modernização um desafio difícil — mas não impossível.

Serei eternamente grato à ARRL, a este hobby e às pessoas que trouxeram um garoto para ele, lhe deram algumas oportunidades pelo caminho, e que continuam a me maravilhar quando penso nessas ondas invisíveis.

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